Orare et labutare: A FALTA QUE ISSO FAZ…
O
título desse texto faz menção ao ensino de João Calvino sobre o estudo bíblico,
que deve ser administrado pela, principalmente e primeiramente, dependência da
iluminação do Espírito Santo demonstrada na oração, e pela labuta, pelo estudo
incessante de todas as ferramentas possíveis e de todo o tempo possível.
Vemos
nessa definição, as duas características predominantes nas Escrituras: a de que
ela é divinamente inspirada (Só o Espírito Santo pode comunicar a Verdade
escrita nela); e a de que ela foi escrita por homens (é necessário que gastemos
muito tempo, esforço, paciência, vigor, para compreendermos ela). Essa
expressão serve para expor os erros que a falta dos ensinamentos dela acarreta
na igreja.
Primeiramente, vamos
falar do ponto mais simples: a falta do “orare”.
Isso significa “não depender do Espírito Santo para entender as Verdades
contidas nas Escrituras”. Isso é, no mínimo, muita arrogância e falta de
reverência. Porém, não quero me prender muita à essa situação, e nem na
situação da falta dos dois, tanto do “orare”
quanto do “labutare”. A falta
dos dois acarreta numa mensagem vazia, sem sentido, sem conteúdo, etc.
Obs: Essas duas
situações são muito prejudiciais também, porém, não é nelas que eu quero focar
neste momento, sendo que, essas são muito mais simples de expor.
Agora, vamos expor o
ponto que está minando a igreja cristã dos dias de hoje: A FALTA DO “LABUTARE”.
Isso
é essencial para entendermos as principais distorções doutrinárias dos dias de
hoje. Primeiramente, vamos separar pelos seguintes temas:
ü falta de preparo para o ofício e falta
de estudo no exercício do ofício;
ü relativismo;
ü “não toques no ungido”;
ü Pragmatismo
ü Falta
de preparo para o ofício e falta de estudo no exercício do ofício:
Temos como exemplo
principal de personagem se preparando para o ofício o jovem Timóteo, sendo
ensinado por Paulo, por suas cartas.
Hoje em dia, vemos que
grande parte dos pastores da atualidade tem sido ordenada para tal ofício por
uma vocação extraordinária, vinda diretamente de Deus. Devo deixar claro que,
de fato, a vocação para pastor vem de Deus sim, porém, vemos que há certo abuso
em relação à essa vocação.
Grande parte das
instituições religiosas não ligam mais para os meios usados por Deus, e, muitas
vezes, não dão importância à disponibilização de estrutura teológica e
pedagógica adequada para o vocacionado evoluir no ofício.
Vemos, porém, que,
além de todas as recomendações de Paulo a Timóteo, o estudo das Escrituras tem
um lugar essencial para a evolução da vocação, para Paulo (1Tm 4.13; 2Tm 1.13; 2.15; etc.).
E, muito além da evolução da vocação, o exercício da vocação não poderia
ser feito sem a labuta no estudo das Escrituras Sagradas.
Além dos relatos
bíblicos da necessidade da leitura bíblica (como por exemplo, o maior capítulo
da Bíblia, Sl 119),
vemos, na história do cristianismo, que os santos, tanto da igreja católica
quanto da protestante, não ficavam sentados esperando a revelação cair do céu.
Muito pelo contrário. Por exemplo: Agostinho foi um dos maiores produtores
bibliográficos da igreja, sendo o principal sistematizador até Tomás de Aquino;
Jerônimo era um estudioso das línguas originais, produzindo a famosa tradução
da bíblia para o latim, a Vulgata;
João Calvino foi um escritor incansável, e orava incessantemente, dizendo que
não se sentia digno de pregar a Palavra sem, antes, passar um bom tempo em
oração; Lutero era um estudioso, não só na parte doutrinária, mas também nas
línguas originais, produzindo a tradução da Bíblia para o alemão.
Portanto,
exortemos nossos líderes para que eles sejam, de fato, referência como
estudiosos da Palavra de Deus, e também diligentemente busquemos nos corrigir
nessa área.
ü Relativismo
O
relativismo, ou seja, que o relativo é o absoluto pra cada um, é uma ideia
totalmente desconexa da realidade, porém, necessário citá-la, devido a tudo que
anda acontecendo nas igrejas e nas mentes dos “cristãos” de hoje em dia.
A
ideia de relativismo, num contexto cristão, diz que cada um interpreta a Bíblia
da forma como ele “quiser”. O mais importante dessa ideia é o fato de que um
mesmo texto tem vários significados, diferentes para cada pessoa, e todos estes
significados estão corretos. TUDO DEPENDE DA INTERPRETAÇÃO PESSOAL. Isso é
totalmente ridículo, em se tratando do que as Escrituras nos passam. Por conta
do relativismo muitos tem feitos incisões nos textos bíblicos e introduzidos
ideias humanas saturadas de heresias.
ü “não
toques no ungido”:
“Um dos ensinamentos favoritos para infundir
medo e manter cativas as consciências das pessoas, afastando-as da utilização
da sua razão, está baseado neste texto do Antigo Testamento: ‘… não toques os
meus ungidos…’ (Sl 105.15 1 Crônicas 16:21-22).
Com esta passagem os
líderes autoritários pretendem, em primeiro lugar, eles próprios se
estabelecerem como os tais ungidos. Em segundo lugar, ensinam que ninguém em
sua congregação pode questionar com base nas Escrituras o ministro, nem
assinalar que são más determinadas práticas ou doutrinas, tampouco dizer que
esteja em pecado, ainda que seja comprovável e que esteja prejudicando alguém!
Pois, isso seria ‘tocar no ungido’ e segundo dizem, ‘se lhes acarretará o
castigo de Deus sobre sua vida’.
Desta maneira eles
podem ensinar o que querem, e assim também se conduzirem como melhor se lhes
apetecerem, sem temer a obrigação de responderem diante de alguém por qualquer
coisa que façam.
ü Pragmatismo:
Pra
expor isto, me basearei no texto de 2Pe
2.1–3:
Primeiro: o que é
pragmatismo, resumidamente? É achar que a qualidade do que está sendo realizado
é demonstrada pelo que essa ação resultar, como por exemplo, uma loja, pra ser
boa precisa render dinheiro. Esse pragmatismo é muito bom, porém…
Vamos expor agora o
erro do pragmatismo na igreja: A igreja é boa quando há resultados bons, como
por exemplo, muitos membros, renda altíssima, muitos “sinais e maravilhas”,
grande popularidade, etc., e ela deve fazer de tudo para que esses resultados
sejam alcançados.
É justamente sobre
isso que Pedro está alertando as igrejas. TOMEM CUIDADOS COM OS PASTORES
PRAGMÁTICOS. Há um pragmatismo que é correto sim, que é o fato de
reconhecermos o resultado a ser alcançado como a glória de Deus, SOMENTE.
VOLTEMOS AO ECOANTE HINO DA REFORMA PROTESTANTE: SOLI DEO
GLORIA.
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